Por dentro da Deep Web
A Deep Web é composta por vários
níveis de ocultamento — que exigem diferentes formas de acesso. Para
que isso fique mais claro, vamos separar a internet em algumas camadas.
Ao contrário de outras publicações, não utilizaremos essas camadas para
diferenciar os conteúdos existentes (principalmente porque o teor deles é
parecido e chega a se confundir em muitos momentos), mas para deixar
mais claras as formas de acesso a elas.
Onde nem os olhos do Google alcançam
Tecmundo, Google, Facebook, Baixaki e
outros sites que estamos acostumados a acessar ficam na parte da
internet que é chamada de “Surface”. Em uma tradução literal, é a
superfície da web. Essa “região” é entendida pelos motores de busca e
pode ser acessada facilmente. Mas logo abaixo da superfície existe uma
zona composta por sites comuns e não indexados.
Isso significa que há muitas páginas que
precisam de links diretos para serem acessadas. Em um resumo bem
simples, são sites que não estão escondidos e que também não estão
visíveis. Isso engloba uma grande quantidade de páginas criadas na
década de 1990, somadas a diversas que foram feitas mais recentemente e
que tiveram a indexação bloqueada — basta uma linha de programação para
isso.
Mas o que faria alguém não querer ter o
site indexado? São diversas as razões. Isso vai desde a necessidade de
manter o sigilo de algumas informações até a simples opção dos
programadores. Alguns bons exemplos são os sistemas de universidades,
que não podem ser vistos normalmente e não são indexados, mas podem ser
acessados com links diretos. Em suma: não são secretas, mas não são
visíveis.
Indo um pouco além
Se a internet “surface” engloba os sites
indexados e os não indexados — estes já podendo ser colocados em um
primeiro nível de “deep web” —, a parte mais profunda não seria tão
simples de ser acessada. Em uma primeira camada, não basta ter um link
direto, pois somente computadores com proxy correto têm permissão para
acessar algumas informações.
Mais abaixo ainda, surgem os sites e
fóruns que exigem o acesso distribuído — o que garante o anonimato nas
trocas de dados. Para isso, somente com navegadores e redes com suporte a
sistemas Tor ou similares. Esqueça os “www” e os “.com.br”. Na Deep Web
os endereços parecem mais com senhas de alta segurança do que com sites
tradicionais.
Esses fatores se somam e, dessa forma,
garante-se o anonimato, pois a navegação é distribuída por diversos
caminhos, não permitindo o rastreio direto à fonte das informações que
estão sendo trocadas. Em resumo, a navegação por Tor oferece muito mais
segurança aos usuários do que a comum, e isso é essencial para evitar
que os domínios consigam existir sem ser rastreados.
Depois de mudanças de proxy e
navegadores com Tor, há relatos de que existe uma camada ainda mais
profunda. Ela exigiria modificações específicas no hardware dos
computadores, criando uma camada muito restrita. É importante dizer que
não há confirmações de que essa área de Deep Web realmente exista, mas
ela vem sendo citada em muitos artigos sobre o tema já faz algum tempo.
O que faz as camadas serem diferentes?
Há quem fale em “Surface”, “Bergie”,
“Deep”, “Charter” e “Mariana’s” Web para diferenciar os tipos de
conteúdos que podem ser encontrados em cada camada. Mas a grande verdade
é que as diferenças principais estão nos modos de acesso — que estão
diretamente ligados ao quanto as pessoas querem esconder esses conteúdos
do público “comum”. Sem nomenclaturas que apenas dificultam ainda mais a
compreensão do assunto, vamos a um rápido resumo:
- Primeiro nível: internet comum, que pode ser acessada por qualquer pessoa e que é indexada pelos motores de busca;
- Segundo nível: internet comum, que pode ser acessada por qualquer pessoa, mas não é indexada pelos motores de busca;
- Terceiro nível: internet restrita, que necessita a alteração de proxy para ser acessada;
- Quarto nível: internet mais restrita, que demanda a utilização de navegadores com distribuição de acesso (Tor);
- Quinto nível: internet “secreta” (não confirmada), que exige a alteração do hardware para que as comunicações ocorram.
Existe algo bom abaixo da superfície?
Por causa de uma série de fatores,
costumamos pensar que a Deep Web é um depósito de conteúdos ilegais e
imorais, com disponibilização de softwares para invasão de sistemas,
guias de terrorismo e outros materiais que levariam qualquer pessoa para
a cadeia. Isso existe, mas não é uma exclusividade. Assim como acontece
na superfície da internet, há uma grande diversidade de conteúdos.
E isso acontece em todas as camadas da
rede. Existem os hackers que compartilham informações para derrubar
sites de conteúdo ilegal — e que colaboram com a polícia para que
criminosos vão para a cadeia. E existem os que compartilham itens
ilegais (nos mais variados graus de ilegalidade e ofensividade) e
oferecem serviços do mesmo gênero (vendas de armas, drogas e afins).
Voltando ao “lado bom da Deep Web”. Nos
locais corretos, é possível encontrar sistemas colaborativos de
altíssima qualidade para os mais diversos fins. Mas é de extrema
importância tomar alguns cuidados ao navegar por lá. Um deles é utilizar
o navegador Tor em computadores sem informações sigilosas, pois as
chances de invasão existem — ainda mais se você clicar em algum link
indevido.
Há muitas lendas que envolvem a Deep Web
e não há como dizer quais delas são verdadeiras e quais não são. Isso é
extremamente difícil de ser mensurado, uma vez que a quantidade de
informações que circulam nessas redes é imensa. Se você quiser tentar,
lembre-se do que acabamos de dizer: não clique em nada que você
encontrar. Você vai tentar navegar por lá ou acha melhor ficar aqui no
raso?